Cobra Kai surgiu como uma das iniciativas mais criativas dessa onda de nostalgia anos 80 e ganhou muitos fãs, entre os nostálgicos e os mais novos.

Basicamente, a série mostra o lado do “perdedor” do primeiro Karate Kid, Johnny Lawrence. O protagonista aparece como um cara que nunca mais se achou depois da derrota para Daniel LaRusso no primeiro filme da franquia clássica dos anos 80. E sinceramente, isso é MUITO bom.

Ver o Johnny apanhando da vida e se escondendo no álcool é muito tocante. A gente compra essa narrativa bem fácil. Inclusive isso tudo meio que justifica a teoria do Barney, de How I Met Your Mother, sobre ele não ser o vilão da série, mas sim um protagonista vítima de Daniel-San.

O próprio LaRusso, que aparece como um “vilão” no começo, acaba se tornando alguém muito simpático de acompanhar. Enquanto a série gira em torno dos dois, é muito bom.

Por incrível que pareça, o problema da Cobra Kai é o Karatê.

Por uma série de motivos, Johnny decide ressuscitar o Dojo da Cobra Kai e reúne uma criançada para participar. No começo é muito bom, principalmente pela inversão de papéis do local. Onde antes se reuniam um monte de playboy para treinar técnicas de bullying e discursos de ódio, agora se encontram os oprimidos, perdedores, cansados de apanhar.  

Em vários momentos a série brinca com essa inversão, fazendo paralelos entre os momentos de cada um dos protagonistas. Até quando a criançada entra em cena, esses momentos são bem legais.

Pancadaria demais até para uma série sobre pancadaria

O problema é quando a pancadaria se torna muito maior do que poderia ser. De repente todo mundo decide brigar o tempo todo, em grupo. Do nada! O que era uma discussão se torna uma grande briga de 240 crianças, todas bem sincronizadas (mais ou menos). Parece aqueles momentos de música do High School Musical, só que ao invés de cantar, os adolescentes se espancam.

Em vários momentos a única coisa que eu conseguia pensar era na quantidade de crimes cometidos em cada cena. O que eles chamam de rivalidade, tranquilamente também poderia ser chamado de tentativa de homicídio.

Um monte de crianças tudo quebradas, casa incendiada e gente desaparecida, mas para que chamar a polícia, né? Vamos resolver como uma batalha!!

Eu sinto uma queda bem grande a cada temporada, até pela mudança de foco da série. O que era um show sobre pessoas novas perspectivas sobre o passado de repente vira algo sobre adolescentes lutadores. A mensagem da luta contra bullying e dos problemas nas escolas americanas ainda está ali, mas quando ela passa ser algo contado pelo núcleo mais jovem da série não funciona muito bem.

Sim, essa coisa meio Malhação com romance e amizade combina bastante com a nostalgia dos anos 80, mas a melhor coisa de Cobra Kai no começo era exatamente ver o contraste entre o antigo e o novo.

Vale assistir? Vale muito.

O carisma Ralph Macchio e William Zabka é a melhor coisa da série. Quando os episódiso não são sobre eles, meio que não é tão legal. Grandes atores? Questionável. Mas muito carismáticos.

Dito tudo isso, Cobra Kai ainda é um projeto muito bom. As atuações são bem ok e as lutas são legais e as referências aos filmes clássicos são muito boas.  

No fim é sobre
isso. Então tá valendo.

Cobra Kai está na terceira temporada atualmente, tudo disponível na Netflix. Vale assistir!

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