O Fuzuê Nerd contou com um Artists Alley com muita diversidade e debates sobre quadrinhos e política

A primeira edição do Fuzuê Nerd aconteceu no dia 15 de novembro, no Novotel Jaraguá, no centro de São Paulo. Um dos organizadores foi o Douglas Freitas, da Editora Skript e um dos sócios da Comic Con Floripa, que também foi o responsável por nos dar a oportunidade de estarmos lá para participar do evento. O Guia Etuíno foi representado pela Gabriela Barbosa, que conversou com a galera e fotografou o Fuzuê.

Diversidade no Artist Alley

O Artist Alley contou com aproximadamente 100 artistas, entre eles, Jefferson Costa e Rafael Calça, responsáveis pela criação do Jeremias: Pele, HQ da Turma da Mônica pelo selo MSP Graphic; a quadrinista e ilustradora Helô D’Angelo, que fala sobre feminismo, machismo e política em seus quadrinhos; Mario Cesar e Rafael Bastos Reis, organizadores  da Poc Con (feira LGBTQ+ de quadrinhos e artes gráficas) e diversos outros artistas muito talentosos.

Qual a relação entre política e quadrinhos? É possível criar quadrinhos que sejam “apenas” entretenimento? Rafael Calça e Helô D’Angelo bateram um papo sobre o assunto, a mediação ficou por conta do Thiago Carneiro (Afronerd).

Ao perceber que existia pouco espaço para mulheres na política e nos quadrinhos Helô decidiu usar as redes sociais para falar sobre o assunto. Atualmente sua página no Instagram conta com 89 mil seguidores e os principais assuntos tratados em seus quadrinhos são o machismo e o feminismo.

Tudo é política, inclusive os quadrinhos

A quadrinista faz críticas bem diretas e isso ainda gera incômodos, como contou Helô sobre uma situação que viveu durante as eleições do ano passado: “Criamos uma série de quadrinhos que resumiam as propostas do Haddad, eu recebi ameaças de morte e estupro por isso”.

Rafael Calça e Jefferson Costa falam claramente sobre racismo nos quadrinhos do Jeremias. Ao contrário de Helô, eles não receberam comentários negativos em relação aos quadrinhos. Rafael comentou que se surpreendeu com a receptividade do público: “Recebemos poucos comentários negativos, mas um bem marcante foi em relação aos personagens brancos. Algumas pessoas reclamaram que eles estavam feios e caricatos; Personagens negros sempre foram caricatos e ninguém reclamava”. 

 

Foto de Gabriela Barbosa

Helô comentou que não quer mais falar sobre feminismo, mas sente que ainda existe necessidade de falar sobre o assunto. “Quando eu decido fazer um quadrinho de terror, por exemplo, as pessoas não levam a sério ou  acham que não é tão legal quanto o quadrinho de um cara.”

O portal Afronerd é direcionado para pessoas negras, mas segundo Thiago Carneiro, um dos criadores da página, 80% do público é composto por pessoas brancas: “Isso me deixou abalado. Eu já sabia que seria maior, mas 80/20 me incomodou porque de certa forma é importante que pessoas brancas tenham um recorte diferente, mas eu queria alcançar as pessoas negras para que elas se sintam confortáveis nesse espaço. Quero que elas sintam que também podem ser leitores de quadrinhos, que podem frequentar eventos e conhecer outros artistas, mas a impressão que eu tenho é que ainda não existe esse conforto e a sensação de pertencimento para pessoas negras”. Para Rafael, é importante que existam canais como o Afronerd e o canal do Load. “Precisamos ter mulheres e homens negros falando sobre quadrinhos independente, dos números que tem, porque vai chegar, é mais fácil você mandar um link do que comprar um livro pra alguém porque livro custa caro”.

ANÚNCIO DO LIVRO: QUADRINHOS QUEER

Ellie Irineu, Gabriela Borges, Guilherme Smee e Mário Cesar, quadrinista e organizador da Poc Con, anunciaram que o livro Quadrinhos Queer será lançado na próxima edição da Poc Con. O livro terá mais de 200 páginas, com 50 profissionais e reúne artes, quadrinhos, entrevistas, artigos científicos, relatos, contos e ilustrações protagonizados por autores, pesquisadores e artistas LGBTQ+.

Já é possível colaborar com o projeto! Clique no link abaixo para saber mais.

https://www.catarse.me/queer

O evento também contou com diversos workshops, como o “Criando Quadrinhos”, mediado por Charles Nascimento (BBHQ), com participação de Bel Pardal e Marcel Bartholo.

Outra oficina foi a “Criando seu Canal do YouTube e Podcast”, mediado por Fabiano Kbelo, com participação de Rino Félix (Nerd All Stars), Daniel Fontana (Formiga Elétrica), Raphael Ranieri (Formiga Elétrica) e Bruno Zago (Pipoca & Nanquim).