Esse ano a Comic Con Experience (CCXP) aconteceu virtualmente por causa da pandemia de Covid-19. Porém, assim como as edições anteriores esta manteve um bom padrão de convidados e novidades para o público. Dentre os momentos épicos, pode-se citar a homenagem e entrevista com o autor Neil Gaiman, além de um momento de nostalgia com a participação do ator Édgar Vivar, que deu vida ao personagem Sr. Barriga, do Chaves. Outro grande destaque da CCXP 2020 foi a participação de pessoas negras como apresentadoras e convidadas de painéis. 

O Artist Valley foi palco de dois momentos muito potentes. O primeiro deles foi o painel da editora Conrad com a participação da quadrinista Marília Marz e da roteirista Regiane Costa. Elas anunciaram o lançamento do quadrinho “Em ti me vejo”, que fala sobre a relação de mulheres negras com seus cabelos. Ele será lançado em 2022 de forma digital, em capítulos mensais. Marília comentou que por muito tempo alisava o cabelo porque não tinha referências de pessoas negras com o cabelo natural: “quando você começa a ver esses referenciais a sua relação com você mesma se transforma totalmente.” Regiane contou que as duas se conheceram através da criação de um coletivo que tinha como objetivo compartilhar as próprias vivências e estudar sobre o racismo. 

O segundo momento foi o painel “Histórias Pretas”, com a criadora de conteúdo e uma das organizadoras da Perifacon, Andreza Delgado. Ela entrevistou o quadrinista Marcelo D’Salete, vencedor do prêmio Jabuti em 2018 na categoria “História em Quadrinhos”, com a obra Angola Janga. Durante as falas foi abordada a questão da representação, onde o autor disse que fica feliz com a visibilidade e importância de suas obras em termos de representatividade, mas que tem algumas críticas sobre o uso do conceito. “Considero que é muito importante ter autores negros nos quadrinhos, literatura, cinema e em outras áreas, mas é muito importante a gente fomentar o debate sobre que tipo de visão sobre essa história a gente desenvolve com essas obras”. 

Segundo ele, não basta apenas ter uma cara preta a mais: “se não houver algo alinhado com sua trajetória, com a periferia e com os grupos historicamente marginalizados você vai ser somente uma outra cara preta para oprimir as outras pessoas que fizeram parte da sua trajetória.”. A arte teve um papel muito importante no seu processo de formação política. “Muito do que eu aprendi sobre sociedade, política e sobre o meu papel na periferia como um jovem negro veio a partir principalmente da arte. Inicialmente a partir do samba e depois o rap que foi essencial para fazer esse debate na periferia no final da década de 80 e início dos anos 90”.

D’Salete também listou quais são seus quadrinhos preferidos no momento: Carolina (João Pinheiro e Sirlene Barbosa), que conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus; Couro de Gato – Uma história do samba (Carlos Patati e João Sánchez) e Beco do Rosário (Ana Luiza Koehler), sobre uma jovem negra que sonha em ser jornalista durante a década de 20. 
O palco Creators e Cosplay também estava repleto de representatividade. Um exemplo foi o painel comandado pelos criadores da Perifacon, que apresentava o projeto “Na boca do povo”, uma parceria com a Netflix Brasil e a produtora Black Rocket. Também ocorreram participações ilustres como a de Matheus Pasquarelli e Bielo Pereira como hosts do palco, além do show de encerramento da cantora Tássia Reis na noite de sábado e o do trio Tuyo na última noite do evento.

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