Na última semana nós perdemos um dos maiores nomes da indústria dos Quadrinhos. Stan Lee morreu aos 95 anos, mas nos deixou um universo cheio de personagens profundos e diversas mensagens sobre igualdade e os males do preconceito na sociedade. Sim, algumas obras dele são sobre isso sim, mesmo que alguns não aceitem.

Independente da polêmica envolvendo outros grandes artistas e sobre como Stan Lee alcançou a fama que hoje é celebrada, é impossível falar do quadrinista sem valorizar os feitos dele para a cultura pop. Os personagens de Stan Lee aproximaram os leitores dos heróis de uma forma que nunca havia sido feita antes.

O legado de Stan Lee está na representatividade de seus personagens, que ilustravam trabalhadores, grupos de minorias, famílias quebradas e muitos outros problemas que passavam em branco nas histórias que faziam sucesso na época.

Dois exemplos bem básicos:

Em 1962, Stan Lee e Steve Ditko criaram o Homem-Aranha, até hoje celebrado por sua semelhança com “as pessoas reais”. Além de super-herói, ele precisava resistir aos problemas com os colegas na escola e correr o tempo todo para não perder o emprego. Sem falar dos problemas pessoais com dinheiro e a família.

Já em 1963, Stan Lee e Jack Kirby criaram os X-Men.  Os filhos do átomo são os maiores reféns do preconceito no mundo da Marvel. As grandes histórias do grupo de mutantes trazem uma representatividade pesada, que abraça qualquer pessoa que se sinta diferente, seja qual for o motivo. Os mutantes são mal vistos por serem diferentes e caçados por serem considerados ameaças, por algo que eles carregam desde que nasceram. Em diversas histórias, os mutantes baseiam quase que sua existência em uma luta para não serem EXTERMINADOS. E por quê? Por sua genética. 1963.

 

Com a morte de Stan Lee, a jornalista Jen Yamato publicou dois textos de 1968 escritos pelo quadrinista. Um deles fala o seguinte: “Fanatismo e racismo estão entre os mais graves males sociais que assolam o mundo hoje. Mas, ao contrário de uma equipe de super-vilões fantasiados, eles não podem ser interrompidos com um soco na cara ou um zap de uma arma de raios. A única maneira de destruí-los é os expondo — para revelá-los como os malvados insidiosos que realmente são.”

Stan Lee nos deixou um legado de mensagens de luta e representatividade gigantes que hoje fazem parte da cultura pop. Infelizmente, mesmo com 95 anos, o quadrinista faleceu em uma época em que ainda existem pessoas que se recusam a entender o que ele tinha a dizer. Mas a mensagem está registrada e a luta continua.