A primeira edição impressa de Valente que conheci foi a de 2013, em um tempo onde meu salário de estagiário não permitia que eu levasse muitos quadrinhos para casa. Mesmo assim ele foi comigo. Ainda no ônibus eu dei uma lida e foi ali mesmo que rolou uma identificação forte com o personagem e todas as referências que a história apresenta.

Valente é, definitivamente, o coração da minha estante. O quadrinho mostra o jovem cachorro sofrendo por um (ou mais) amor platônico enquanto tenta buscar conselhos com seus amigos e arranjar uma maneira de conquistar sua nova paixonite. A forma como a história é contada é tão leve e delicada que é impossível não se identificar com o Valente em algum momento para logo sofrer com os seus dramas e trapalhadas entre os truques de mágica e dicas de lanches. Eu mesmo me vi em várias das situações narradas em “Valente para Sempre”, a primeira parte da história dividida em cinco quadrinhos até agora.

Os cinco volumes de Valente reúnem diversas tirinhas para contar a história do cão adolescente que dá nome à história. A narrativa simples e divertida prende rápido e apresenta os personagens principais com muita simpatia. É fácil se identificar com o Valente em sua rotina chata e repetitiva, da mesma forma que é mais fácil ainda se ver nas histórias frustradas com o amor prematuro pela gata Dama.

As histórias de Valente foram lançadas de 2013 a 2017 e isso foi tempo suficiente para que o crescimento do personagem principal alcançasse um público que acabou crescendo junto com ele. Foi o que aconteceu comigo em 2013, quando sofria por uma paixão platônica impossível ( e improvável) e me vi no protagonista aprendendo a lidar com isso. Enquanto alguns cresceram com o Andy de Toy Story e tiveram sua adolescência com Harry Potter, eu passei por um período de amadurecimento sentimental ao mesmo tempo que Valente.  

Até o momento, a história se divide em cinco pedaços:

Valente para Sempre
Valente para Todas
Valente por Opção
Valente para o que Der e Vier
Valente para onde você foi?

Valente é uma obra de Vitor Cafaggi e reúne algumas de suas tirinhas publicadas em jornais e publicações independentes. Algumas situações do quadrinho são baseadas em experiências da vida do autor, que também coloca personagens de sua infância espalhados pela narrativa. A sensibilidade do autor e  forma como ele consegue transmitir o sentimento de cada situação é uma das melhores coisas de Valente. A arte é muito bonita e a narrativa é cheia de referências ao universo nerd de algumas décadas passadas, o que deixa  tudo ainda mais familiar. Valente já recebeu dois troféus HQ Mix de Melhor Publicação de Tiras, em 2013 e 2014.

Fugi um pouco dos textos normais aqui do Etuíno para falar de Valente pois a obra é uma das minhas leituras preferidas da vida. Assim como me vi nas histórias contadas por Vitor Cafaggi, resolvi me colocar um pouco no texto  que fala sobre um dos seus grandes trabalhos.